terça-feira, 30 de julho de 2013

Desab(af)o

Nos caminhos da tua pele, 
eu caminho.
Na tua espinha,
no teu espinho
Na tua fome, 
na tua sede
Na tua desgraça há meu deleite

Então tua pupila dilata
Teu olhar me encontra e me mata
E já sangrando, 
em teus lábios me encontro
Rastejando me exalto
E por completo eu desabo

De novo, 
em teus braços eu caio
Suplico,
me engano,
não me dás descanso

terça-feira, 9 de julho de 2013

Auto retrato

Maria é feita de hipérboles, banhada em exageros e baseada em extremos. Ela ri demais, chora demais, sofre demais e é feliz demais: tudo por uma pessoa só, num dia só, por uma coisa só.. tem vários eus em si. E, ah, vê esses eus como ninguém. Enxerga defeitos e qualidades que talvez nem estejam lá, se pinta com suas próprias cores em seus pincéis deformados. Mas se vê em seu espelho pessoal e mantém uma relação de amor e ódio circular. Sentimentos dos quais não sabe medir antes de usar -e abusar-. Gosta de amar até judiar o pobre coração, e quando odeia, odeia tanto que as vezes chega a pensar que o sentimento só vem para balancear.
Ela vive demais, se arrepende demais e arrisca demais. É, Maria é feita de hipérboles, banhada em exageros e baseada em extremos. E para melhorar isso, tenta ser pouco.. Mas acabou sendo pouco demais.