quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Beatriz

Suas palavras açucaradas deslizam de seus lábios rosados e se evaporam na fumaça de carros. Ela está sentada na varanda, de saia florida e óculos retrô. Seus cabelos loiros são levados pelo vento, e acariciam suas faces rubras. Raios de sol evidenciam-se, tímidos, pela cerejeira na qual a garota se abriga. Abriga não só ao seu corpo, mas sim a pensamentos. Ideias confusas, vindo em um turbilhão por segundo. Com um lápis na mão, começa a fazer arte. Um ponto, um suspiro. Uma linha surge na folha de papel, e com ela, oportunidades.Chances agridoces, malícias subliminares e sorrisos brincalhões. Logo, mais e mais linhas são marcadas à tinta, e com aquarela, a vida de Beatriz é pintada, com uma pitada de mel. Mel, cor dos seus olhos, carregando um semblante pensativo. A mente dela está nas nuvens, e as estrelas estão no seu coração. Finalmente no seu rosto belo estampou-se uma certeza, marcada por feições suaves e determinadas. Uma epifania veio à mente da menina-mulher e, como se nada houvesse acontecido, amassou o papel colorido que levava nas mãos e o jogou longe. Percebeu que sua vida não tinha história. Mal havia começado, e não há de terminar tão cedo.

Esse texto foi inspirado em alguém real, perfeita em cada mínima falha. Minha Bia. Com açúcar, com afeto, te dedico esse texto.