domingo, 24 de junho de 2012

Sereia

''Não sei de onde vim nem para onde vou'' disse a moça, entre uma tragada e outra. Já havia manchado seu cigarro com o batom barato que pintava seus lábios carnudos, mas também não se lembrava como isso aconteceu. As memórias vinham em flashes, atingindo-a como socos no estômago. E pelo visto, ela levou alguma memória da noite passada ao pé da letra, porque agora o meio fio de copacabana estava sujo de vômito. O cheiro de cachaça subiu no ar, e dessa vez, ela vomitou palavras. Não falava com ninguém. Nesse horário, nesse exato ponto da rua, tudo estava deserto. Mas ela estava lá. E suas histórias a acompanhavam. A alça do seu vestido vermelho caía, quase em sincronia com as lágrimas. As mãos tremidas da moça ajeitaram seu cabelo, vestido e sapato. Mas o semblante continuava perdido. Os olhos ainda se mexiam de um lado para o outro, sem saber que rumo tomar. Mesmo assim, ela caminhou. Sem direção, ela cambaleava. Caminhou e caminhou. O tempo passava e finalmente ela decidiu aonde ir. Olhou para o mar e seus olhos azuis celeste se derreteram, seu cabelo refletiu o luar e deixou os problemas aqui, no banco de uma praça qualquer. Talvez fiquem aí para sempre. Talvez ela volte para pegar. Ou talvez eles se dividam entre vários pedacinhos e você pegue um pouco.