domingo, 20 de maio de 2012

Acordei nos seus braços quentes, ninando-me como a uma criança. Seus passos eram leves para não me despertar. Mas minha respiração de repente tomou um nível mais elevado, e logo você notou. Debaixo do capuz negro que você levava, vi de relance um tom de surpresa. O susto foi tão grande que eu quase caí dos seus braços. Um sussurro saiu dos seus lábios, secos de tanto calarem-se: Normalmente as almas não despertam quando as recolho, é um trabalho bastante solitário. Então percebi tudo. Os frascos de remédios e a garrafa de vodka, vazios, largados no chão. Meu corpo inerte, com olhos e boca abertos. E pendendo da minha mão, um bilhete de despedida, marcado com meu querido batom vermelho e irrigado a lágrimas. Eu estava nos braços da morte.