quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Um sentimento surge em mim
Destroçado, natimorto
Nele não há começo ou meio,
Principia-se pelo fim

E como um ventre já cansado
Meu coração, de todo amor
Enfim concede o aborto
Sem sangue, lágrimas ou sequer dor

Fria e só,
Te arranco da minha vida
Desato todo e cada nó
Destruo em mim a parte sofrida


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Como Frida
Me deito, não me movo
Respiro Khalada, sofrida

E de novo,
Com morbidez eu me pinto
Me pinto com palavras, versos e pontos

Da ponta do lápis, jorra o que eu sinto
No papel vive a dor, vive o amor
E do uísque que bebíamos,
De vivo, só resta o odor

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Respiro para não morrer
Durmo para não viver;
Os remédios me descem pela garganta
Como uma palavra não dita
Uma dor que não sangra

Em mim um câncer cresce
Se aloja e me enebrece
Um buraco, uma massa, um fio
Um câncer chamado vazio

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Mãos em vão
Desatam os nós
Nós que nos prendem
Nos prendem a nós
Nos prendem a sós

Nossas veias se confundem
Em uma só, se difundem
Não sei mais quem sou, ou quem eres
Só sei que teu prazer me enlouquece
E tua dor, amarga, me fere

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Seios e sangue -uma poesia feminina-

O mar é a dor
A maré tem amor
Nas pedras te perdi
Na areia me encontrei
De todos os males,
Eu sei;
De todos os amantes,
Provei

Apanhei, revidei
Da vida fiz um ring de luta
E para dela sobreviver
Fui santa, fui mulher, fui puta

Fugi, fugi, fugi
E de tanto correr,
No mesmo lugar me estanquei
Parada,
Semi-morta,
Como uma ferida aberta que não sangra;
Chora

terça-feira, 30 de julho de 2013

Desab(af)o

Nos caminhos da tua pele, 
eu caminho.
Na tua espinha,
no teu espinho
Na tua fome, 
na tua sede
Na tua desgraça há meu deleite

Então tua pupila dilata
Teu olhar me encontra e me mata
E já sangrando, 
em teus lábios me encontro
Rastejando me exalto
E por completo eu desabo

De novo, 
em teus braços eu caio
Suplico,
me engano,
não me dás descanso

terça-feira, 9 de julho de 2013

Auto retrato

Maria é feita de hipérboles, banhada em exageros e baseada em extremos. Ela ri demais, chora demais, sofre demais e é feliz demais: tudo por uma pessoa só, num dia só, por uma coisa só.. tem vários eus em si. E, ah, vê esses eus como ninguém. Enxerga defeitos e qualidades que talvez nem estejam lá, se pinta com suas próprias cores em seus pincéis deformados. Mas se vê em seu espelho pessoal e mantém uma relação de amor e ódio circular. Sentimentos dos quais não sabe medir antes de usar -e abusar-. Gosta de amar até judiar o pobre coração, e quando odeia, odeia tanto que as vezes chega a pensar que o sentimento só vem para balancear.
Ela vive demais, se arrepende demais e arrisca demais. É, Maria é feita de hipérboles, banhada em exageros e baseada em extremos. E para melhorar isso, tenta ser pouco.. Mas acabou sendo pouco demais.